Publicado em 05/01/2016 _BRST
Um passeio pela Meca da Gambiarra paulistana

Autêntico é o que é legítimo. Assim, captando alguns discursos e se concentrando em observar os detalhes, as texturas, sons, opiniões e gingas, tentamos desvendar o que dá legitimidade para a paisagem desse pedaço da cidade.

Boca do lixo. Assim se chama essa região por quem a frenquanta ou não. O nome se refere à confluência de ruas que desemboca na estação de trem. Lugar de passagem. ficava ao final da Duque de Caxias e da Casper Líbero, nas décadas 20 e 30. Nos anos 1960 foi lugar de aluguéis baratos e vida corrida que atraiu as produtoras de cinema, distribuidora e estúdios, onde acontecia o chamado cinema marginal. No tempo em que tínhamos um imperador, decidiu-se instalar duas grandes estações de trem, a Julio Prestes e a Estação da Luz.

Lá ficava também o antigo terminal rodoviário, de uma cidade muito menor. Era o limite ao norte da primeira expansão de São Paulo. É também um lugar que, como região de porto, tradicionalmente acomoda na cidade as comunidades de estrangeiros que chegam em busca de oportunidades de negócio e uma vida melhor. Foi assim com os portugueses, italianos, espanhóis, judeus, coreanos - grupos importantes pelo empréstimo de características que criaram a feição do povo e da cultura deste lugar.

Hotéis baratos, ocupações precárias, imóveis deteriorados pela ação do tempo, imagens de pobreza, muitos resíduos de toda sorte se misturam a crianças que jogam bola, ou somente se reúnem nas calçadas, enquanto passa um homem puxando uma carroça que anuncia o fim. De dentro das lojas, vendedores arrumam as mercadorias nas prateleiras. Das oficinas, técnicos concentrados abrem e fecham equipamentos complicados, trocam componentes. Produtos originais, de garantia e procedência. Outros, nem tanto. Pendrives, sistemas de som de todos os tamanhos, sebos, casas de suco, restaurantes árabes, africanos, peruanos. Casais, pastores evangélicos, traficantes, empresários, adolescentes, moças, velhos, cabos de áudio, televisores usados, galpões empoeirados, gritos na rua, nesse grande bazar que é a Santa Ifigênia.

A região, que traz ao visitante uma associação direta com a violência e o desregramento, guarda em suas calçadas o registro de muitas camadas de história.

Este artigo para além de qualquer sensibilização ideológica, procura revelar uma imagem baseada na observação dos processos sociais que atribuem os aspectos de tolerância e degradação urbana, para que se conserve este estado como objeto de estudo e análise posterior.

Alguma liberdade poética se justifica pela implicação do processo criativo empregado para o tratamento do objeto escolhido: uma inquietação seguida de um questionamento estético.
A paisagem

A Santa Ifigênia revela cada vez mais de sua enigmática existência e as sutilezas de suas múltiplas camadas de vestes maltrapilhas. Impõe não pelo que é belo, mas pelo que é verdadeiro na fineza da escolha de seus multivariados acessórios, os penduricalhos que repelem e atraem a atenção de quem aprecia o tecido humano que compõe o quadro desses poucos quarteirões

Do viaduto de aço, que estampa o nome da rua, que nasce no mosteiro e deságua na estação de trem (ou será o contrário). O cruzamento que chamou a atenção para a realização deste trabalho investigativo fica ao redor do velho conjunto de estações de trem da cidade, que compreende a estação Julio Prestes, a Estação da Luz, a Pinacoteca do Estado e o Parque da Luz. Aqui situava-se até meados da década de 1970 a rodoviária da cidade, estabelecendo a vocação da região de passagem e circulação. Ligando os eixos rodoviários norte-sul e leste-oeste, recebe passantes de todas as regiões da cidade. E como rio de corredeira, não deixa que se depositem sedimentos e abriga muitas formas de vida e organização.

Descendo pela Rua dos Gusmões, é possível observar de longe, os prédios residenciais, construídos pelos imigrantes que se estabeleceram com suas famílias e seus negócios, na época em que a cidade de São Paulo tinha nas margens dos rios as várzeas com suas chácaras e uma densidade população que nem de perto lembra a magnitude de hoje. O Parque da Luz, por exemplo, teve sua inspiração nos jardins europeus, e era um dos mimos do imperador para a cidade, ainda antes da primeira república.

Fachadas coloridas, retas, um emparelhado de sobrados desenhados na simetria art déco. Altos edifícios, com traços simples e funcionais também lembram o movimento da “modernidade ”. Lado a lado com o classicismo europeu do viaduto Santa Ifigênia e seus ornamentos nouveau em ferro, ou do Palacete Lellis, uma das esquinas mais charmosas do bairro. Construções que quase viraram mera memória, nas mãos de Jânio Quadros e seu plano de urbanização, mas que desde 1986 são tombados dentro de um polígono que vai até a São João.
Os personagens

Uma das lojas que chama a atenção ostenta em sua fachada equipamentos médicos das mais variadas procedências. Manequins com seus órgãos à mostra assistem ao movimento da rua. “É uma incubadora construída nos anos 1940 ”, diz orgulhoso sobre um dos maquinários expostos o homem atrás do balcão, que emprega alguns poucos funcionários. De forma quase organizada, são inúmeros os itens à disposição na loja especializada em equipamentos hospitalares. Máquinas de Raio-X, instrumentos de medição de pressão e andamento cardiaco, alguns plenamente funcionais, outros preparados para a canibalização das peças e componente. Todos materiais preciosos de alguma forma - classificados e estocados, mas quem faz o preço é o patrão. Conhecido por Maroni, ele nos oferece um passeio pelas prateleiras e divaga com satisfação sobre aluguel cenográfico, um dos diversos usos de suas quinquilharias.

Entrou no ramo por causa da mulher, que trabalhava como enfermeira em hospitais e descobriu que se fazem leilões de equipamentos em tempo de serem substituídos. Viu ali uma possibilidade de negócio e começou a frequentar esse tipo de evento, de onde tira todos os seus produtos. Inclusive os tacos de golfe e os equipamentos de esqui, que aparecem no mezanino pra quem olha de baixo. Não demorou muito para também começar a fornecer peças por encomendas. Para isso, trabalha com um grupo grande de profissionais, organizados lado a lado em um quadro de cartões, na parede.

A Santa Ifigênia funciona assim, na base das redes, indicações, cartões de visita. Em um dia de visita a bolsa ganhou pelo menos seis novos contatos. Se o cliente não encontra o que procura em uma casa, vai no vizinho ou na rua de baixo.

Não é preciso procurar muito. Alguns passos na calçada e uma sequência de pessoas e perguntas: “Posso te ajudar, chefe? ”, “O que está buscando hoje, patrão? ”, “É pen drive? É celular? ”, os puxadores bombardeiam. São vários pelas ruas, também em frente às lojas concorrentes dos comerciantes que os pagam trinta reais pela diária de nove horas. Uma cliente caminha em direção à saída da casa de fontes. O rapaz levanta os olhos, abre a boca pra gritar. Não grita. Ela já tem uma sacola nas mãos.

Maroni nos convida para conhecer o outro galpão. Prática essa muito comum entre as lojas, de alugar imóveis contíguos por um preço convidativo, explicado em boa parte pela degradação do entorno. Catadores, transeuntes. É uma região de marginais. É a orla de uma cidade impressora de uma velocidade que impulsiona todos os participantes de suas dinâmicas, para uma situação de pouco espaço para repouso.

Aliás, repouso que é quase proibido. Afinal, dormiu no ponto, o rapa leva. Já é parte da rotina o momento da correria. É uma onda, que se inicia no primeiro a enxergar a farda e vai contaminando os que vêm pela frente. Gritaria, correria, uma comunicação particular. Alguns derrubam suas mercadorias no desespero, outros dão risada. Não é graça. “Só faltou o coração sair pela boca ”, diz a vendedora de açaí, empurrando seu carrinho.

Percebe-se até um quê de teatral na passagem da polícia. Os oficiais caminham lentamente, normalmente em dupla. Ao redor, tudo se movimenta. Folhas de papelão recheadas de CD’s se fecham, pessoas correm, entram por alguma porta. Os policiais passam, sem desviar muito o caminho. Tudo volta ao normal. As folhas de papelão se abrem novamente e os ambulantes retornam como se brotassem do chão, no mesmo lugar.

Descemos um pouco a rua. Em frente, um antigo cortiço, muitas pilhas de materiais para a coleta que os próprios catadores da região realizam com suas carroças. A calçada serve como um entreposto. Um galpão com prateleiras até o teto abriga uma enorme quantidade de equipamentos, em sua maioria, comprados de empresas de telefonia, departamentos de pesquisa e produção de eletrônicos. Além de uma vasta oferta de equipamentos industriais que são classificados, limpos, revisados e organizados.

Isso é apenas o começo. O primeiro corredor que leva ao fundo da loja revela um estoque de peças e componentes prontos para serem de alguma forma reaproveitados. Os processos de manufatura reversa são estudados caso a caso. Ao fundo, revela-se uma oficina com bancada e muitas pequenas placas, que com uma pequena modificação podem servir para alguma aplicação comercial, como produção de projetos industriais em pequena escala. Ou ainda gerar alguma peça que seja adotada pelo mercado de manutenção de equipamentos industriais.

Renato estudou design de iluminação, uma profissão que tem sua história relacionada com o mundo dos espetáculos, e de uma forma muito convincente, ele empresta para a fachada da loja que gerencia. No imóvel ao lado, containers em duas filas horizontais empilhadas cobrem toda a dimensão interna do enorme galpão por um dos lados. Na outra parede, chama de imediato a atenção um conjunto de equipamentos de uma antiga transmissora comercial de rádio que ficou no ar durante as décadas de 1990 e 2000. É um sitema de transmissão de dez mil Watts, suficiente para cobrir a área de uma metrópole como São Paulo. Está a venda.

O imenso estoque, com a profundidade do quarteirão, mostra algumas jóias. Válvulas de fabricação soviética, que segundo ele são remetidas para compradores interessador em todo o mundo pelo advento da internet. Equipamentos industriais, instrumentos de bancada para eletrônica, calibradores para radio transmissores, inversores, equipamentos profissionais prontos para adaptação em diversos usos. Ele conta alguma história sobre cada um dos equipamentos a disposição e fala sobre os planos para os emprendimentos do chefe, seguramente o maior da região.

O cheiro é forte, muitas peças empilhadas e algumas até molhadas por um vazamento no teto. O gerente reclama sobre o conserto mal feito, que molha uma caixa de papelão e as peças de dentro. Aos olhos de um leigo, o lugar é um amontoado de sucata. Mas ele garante que não há lixo eletrônico, tudo é reaproveitado. O que não pode ser vendido é triturado e mandado pra China, serviço que não fazem mais e deixam para algum dos vizinhos.

Tudo é feito em condições curiosas. A estética predominante é de um ambiente desorganizado. Com aroma de improviso, das condições precárias em que chegam as mercadorias, a forma como as fachadas dos galpões e lojas comerciais se organizam guarda uma semelhança com imagens de pilhas de materiais descartados. E é exatamente disso que se trata.

Nas conversas com os lojistas mais antigos, estabelecidos há vinte, trinta anos na região, é comum falarem da mudança das especialidades das lojas ao longo do tempo. “Antes era tudo tecido. Depois elétrica, informática e então veio uma mescla, a atual era digital ”, nos conta Dico, que tem 40 anos de Santa Ifigênia. Começou como office boy, ainda menino, e, junto ao bairro, se adequou conforme o mercado. Hoje é proprietário de uma das lojas da galeria do notebook, um espaço que naturalmente foi se especializando na virada dos anos 2000, quando ainda trabalhava com ferramentas e seu antigo sócio abriu o empreendimento no andar de baixo. Para ele, a concorrência é boa, já que eles trabalham em conjunto. Um fornece peça para o outro, assim como a solução de um reparo técnico. O problema mesmo está no momento nacional, segundo o empresário, que garante já ter visto o bairro muito mais movimentado. Nem ele compra mais peças de fornecedor, importa tudo diretamente da China.

A própria rua General Osório, paralela da Gusmões é um exemplo dessa microespecialização; nas quadras entre a avenida São João e a Avenida Rio Branco, todo o comércio é especializado em peças e serviços para o mercado de motocicletas, de todas as categorias e segmentos. Boutiques com acessórios de couro, jaquetas que podem custar uma dezena de milhares de reais, até peças remanufaturadas para atender a manutenção de uma frota imensa de motos que realizam os fretes da cidade e organizam-se em torno de uma categoria profissional alcunhada como motoboy. Mas isso é só até a esquina com a avenida Rio Branco. De lá pra baixo, a rua é conhecida por lojas especializadas em equipamentos de automação industrial, monitoramento e segurança, consertos de equipamentos profissionais de áudio, e um pouco mais abaixo, em reaproveitamento de eletrônicos e reciclagem de material.

“Já tentei montar a loja em shopping e não dá certo. Aqui eu tenho tudo. Se preciso de um HD, uma placa, encontro fácil ”, diz Cesar, que garante ser o primeiro da região a trabalhar com Mac. “O lugar é referência no mercado eletrônico da América do Sul ”, complementa. Começou como curioso, há mais de vinte anos. Professor de educação física, gostava de tecnologia e um dia trouxe um computador dos Estados Unidos. Era 1992, quando a marca Apple, ainda /underground/ por aqui fazia com que seus clientes despendessem cerca de quinhentos dólares por um reparo. Na segunda vez que o aparelho quebrou, Cesar decidiu se aventurar na manutenção. Consertou e começou a fazer sucesso entre os amigos. Até que abriu sua primeira loja e foi na contramão da Santa Ifigênia, conseguindo peças no mercado paralelo por meio de uma grande editora. Cresceu tanto que hoje só trabalha por indicação, em um cubículo no fim do corredor superior de uma das diversas galerias da região. Não é fácil achá-lo, mas é assim que ele prefere. Conta com uma rede de clientes fixos e se orgulha ao falar nomes como Capital Inicial e Edgard Scandurra. Gente que gosta do estilo de Cesar, que garante fazer reparo, ao invés de trocar a peça danificada por uma nova. Hoje tem mais facilidade em encontrar as peças, ainda que a Apple não disponibilize. Diz que usa mercados online, compra direto da China ou arremata lotes. Vindo de uma família de “espanhois sucateiros ”, como ele define, também não deixa de juntar suas bugigangas. Mas seu caso é por prazer e amor de colecionador. Dentro de casa, possui um museu de Mac, com relíquias antigas que compra.

Outro que também tem uma paixão por antiguidades é Carlos, de 79 anos de vida e 49 de telefones. Hoje quem toca o negócio, que envolve sistemas de telefonia, é seu filho, também Carlos. Mas o pai está lá todos os dias, pontualmente às 7h, pois gosta de chegar cedo, até às 14h, porque mora longe. E basta perguntar sobre a vitrine lateral, recheada de aparelhos antigos, que ele se anima. Conta que o mais antigo encontrado ali é um telefone de 1920, mas que em sua casa possui um ainda mais velho. Pega um livro ilustrado, mostra a origem sueca da relíquia. Folheia, enquanto divaga sobre a história de seus xodós e conta dos empreendimentos familiares.

Wilson também está ali quase por hobby. Faz seus horários, conta que faz pouco tempo que teve as primeiras férias longas, de dois meses. Mas que a opção de manter o trabalho é melhor que a de ficar sem fazer nada em sua casa, no horto. Ele gosta. O Robozinho Tri Zoio é uma de suas criações que já completa quinze anos, ao lado de outras dezenas de kits para montagem de eletrônicos. O que era sucesso no passado, lhe rendeu uma revista distribuída em bancas e o desenvolvimento de outros serviços relacionados, já não vende tanto. Mas a loja se mantém intacta, toda ornada com luzinhas e revistas coloridas penduradas, no valor de CR$ 3000.

Estes clássicos parecem ter um prazo de validade indefinido. A Casa dos Capacitores é uma delas, que em meio a tantos milhares de produtos, de todos os tamanhos, distribuídos em caixas, mantém um sistema de estoque controlado à mão. O funcionário, já antigo por ali, nem sabe dizer em números o que ali tem. Seria impossível. Assim como a quantidade de gente que para todos os dias no carrinho do Airton, que com um microfone de cabeça atrai curiosos para sua /novidade/, como ele define. Vendedor há 10 anos na mesma esquina da Santa Ifigênia e 20 nas estradas pelo interior do estado, ele oferece um cortador de vidro e afiador de facas, criação lá de sua terra, no Rio Grande do Sul. Com sua filha ao lado, eles vão mostrando a potência do aparelho, enquanto narram e chamam curiosos. Em cima do carrinho, várias notas de dez reais, o preço estabelecido para a capital, mostram o sucesso do negócio.

Enquanto existir a demanda pelos serviços instalados na região haverá essa paisagem que se observa hoje. As vitrines se transformam, novos e mais tecnológicos equipamentos chegam e vão embora, os preços sobem e descem; e certos elementos permanecem intocáveis. A Santa Ifigênia, como dizia já em 1971 o narrador do filme “Uma rua chamada Triumpho”, “é um bairro que veio resistindo ao chamado progresso.”
Concluindo

Um passeio atento é o que propõe este trabalho, ao desejar explorar alguns mitos sobre a cultura periférica que se veste de improviso, e reafirma a máxima quase unânime de que seria a necessidade a mãe de toda invenção. Como se afirma essa estética? Em que bases ela se enraiza? Pela possibilidade de realizar algumas inferências sobre estas questões, o estudo desta região, dos processos históricos e das histórias de vida em torno desta rua mítica parecem um tema adequado a uma residência de pesquisa e criação de soluções para a cidade por meio da tecnologia.

O processo urbano de gentrificação - nome atribuído a essa retomada de interesse por regiões degradadas e a substituição dos elementos anteriores por extratos mais capitalizados da sociedade, que expulsam os frequentadores antigos para as bordas da cidade - de alguma forma é um processo inevitável, à medida que o interesse especulativo nas possibilidades da região aumentam frente à sua pacificação. É latente esse processo nesta região da cidade e documentar histórias, relatos, de quem vive a experiência deste bairro no cotidiano é a contribuição dessa pesquisa para futuras histórias que se venham contar sobre essa região da cidade.

Este trabalho foi realizado com apoio da Redbull station entre os meses de setembro e novembro de 2015, durante a residência Basement. Fica o agradecimento à marca, e na figura dos idealizadores deste projeto fundamental para a cidade.

As imagens são do Yves Tadeu, e o texto contou com a colaboração da Luisa Coelho.

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Comentários

trabalhamos com manutenção de equipamentos hospitalares e quero vazer uma visita pra comprar peças.. At. :Aliance -21-98805-1378 - zap
Publicado em Tue, 08 May 2018 10:42:37 por Aliance Rio

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