Bio

Pedro Belasco @ FCD2010 Brasileiro. Cientista Social pela USP. Tenho interesse em tecnologia, especialmente no fenômeno da internet, tanto de aspectos técnicos, quanto o impacto na vida das pessoas. Me interesso especialmente por viagens significativas, livros, assuntos da cidade e negócios inovadores. Vivo atualmente em São Paulo, de onde organizo meus interesses e cultivo amizades.


Formação

Estudei meus primeiros anos na capital, em duas escolas primárias com excelentes estrutura e metodologias de ensino. Tive contato com temas de educação ambiental, artes e trabalhos em madeira, iniciação musical e durante dois anos, estudei em um colégio construtivista na região sul da cidade de São Paulo. Devo muito a estes primeiros anos na minha formação intelectual e visão de mundo.

Aos doze, acompanhei a família numa mudança para o interior do estado, na área de fronteira com o sul de Minas Gerais na cidade de Altinópolis que na época tinha uma população de doze mil habitantes. Cercada de belas colinas, é uma tradicional região produtora de café. Lá conheci a escola pública como eu acredito que não exista mais. O Barreiros era um espaço de integração efetivo. Talvez por ser na época a única opção de colégio da cidade onde se formava toda a gente. De lá guardo boas lembranças de experiências e amizades.

Aos dezessete, de volta a São Paulo com a idéia de ingressar na universidade pública, passei dois anos me preparando. Tive contato com a vida social da capital nesta época, aprendendo a rotina de trabalho em um comércio da família e aos dezenove, fui admitido no curso de Ciências Sociais. A universidade, com todas as novidades me absorveu por sete anos. Decidi por me mudar para a residência universitária ainda no primeiro ano, e fiz do campus da USP minha casa, minha escola e meu ambiente de trabalho.

Além das minhas atividades acadêmicas regulares, a partir do segundo ano, comecei a me interessar por outros campos do conhecimento. Tive oportunidade de frequentar aulas nos departamentos de letras, onde me iniciei minha alfabetização na língua russa, administração, pelo meu interesse em programas de desenvolvimento social e gestão do terceiro setor, e nas ciência da computação, onde por dois anos absorvi conhecimentos sobre o universo dos computadores, aprendi alguns fundamentos e boas práticas de desenvolvimento de algoritmos, um pouco de álgebra e um pouco de cálculo, para total espanto dos meus colegas da faculdade de sociologia.

Como experiências formativas, destaco a importância dos estágios nas diferentes áreas da universidade. Trabalhei por um ano no museu de arte contemporânea em um projeto da área técnica que me apresentou a um campo de atuação que viria a me capturar a atenção nos anos seguintes, o software livre por meio do GNU/Linux.

Por dois anos e meio fui estagiário do cinema da universidade, o Cinusp. Lá tive contato com a rotina de uma instituição cutural. Participava do grupo de curadoria, formado por outros estagiários de diferentes escolas da universidade. Era um ambiente de muita liberdade para proposições, estimulava a criatividade e a autonomia, e a colaboração.

Terminado meu prazo de estágios nos órgãos da universidade, fui trabalhar em um outro ambiente. Desta vez, em um projeto ligado à administração do terceiro setor. Fazia a função de monitor de sala em um curso de formação executiva na Fundação Instituto de Administração. Outro campo, outros desafios. Nesta época tive contato com a rotina de um centro de estudos especializados em gestão, que orbitava entre a universidade e o mundo corporativo. Tive oportunidade de conhecer pessoas extraordinárias e grande projetos.

Trabalho

Terminada minha jornada pela universidade, entre 2006 e 2007, trabalhei como assistente em um projeto de construção de um policlínica no estado do Piauí. Trabalhei em cooperação com profissionais da área da saúde, especialistas, gestores e lideranças sociais. Aos vinte e cinco anos saí de São Paulo para conhecer região distante de tudo que era familiar na perspectiva de um sudestino. Comecei a conhecer o Brasil.

Em 2007, após regressar de uma viagem ao Chile, decidi que juntaria meus poucos recursos e o meu conhecimento, e me aventuraria no mercado. Aluguei em sociedade com um amigo uma sala comercial no Bairro da Liberdade em São Paulo e iniciei uma empresa de desenvolvimento web. Busquei formação no SEBRAE, formalizei a empresa e comecei a oferecer meus serviços.

Como desenvolvedor, havia trabalhado com projetos de desenvolvimento de sistemas de gestão de atividades culturais em diversos contextos. Criei um sistema de júri para um concurso de projetos de jogos eletrônicos para o Ministério da Cultura (2004), inúmeros sites com diversas tecnologias, inicialmente por diletância e por desejo de compreender o funcionamento da Internet sob uma perspectiva profissional.

Meu maior desafio nesta etapa foi a modelagem e implantação de um sistema integrado de gestão para um festival competitivo de bandas de alcance nacional em 2009 em três meses, utilizando técnicas de desenvolvimento ágeis, e com uma equipe de duas pessoas.

Tive uma boa noção das dificuldades de empreender um negócio novo. Estudei métodos de trabalho, tecnologias e aspectos gerenciais de um negócio. Por três anos busquei formas de financiar projetos, geri contratos, trabalhei com agências, desenvolvedoresfree-lancers, vivendo a rotina comercial do centro da cidade. Em 2010, por circunstâncias da vida, decidi que não continuaria trabalhando daquela forma.

Havia conhecido por indicação de amigos uma iniciativa que estava se consolidando em São Paulo, a Casa da Cultura Digital. Era uma simpática vila construída por imigrantes italianos em meados do século XX, ocupada por um conjunto de pequenas empresas, associações, redações e indivíduos que discutiam ações e campanhas em torno de temas quentes da internet e da comunicação. Um desses pequenos núcleos era uma empresa chamada Esfera, tocada por dois jovens que haviam feito um convite público, chamando pessoas interessadas em tecnologia e política.

Para situar a CCD no panorama, posso citar algumas das iniciativas que surgiram nesta casa: A agência de reportagem e jornalismo investigativo apública, parceira da rede do WikiLeaks durante os episódios da divulgação das primeiras correspondências diplomáticas do Governo dos EUA e a primeira sede do Garoa Hacker Clube, hackerspace pioneiro no Brasil que funcionava em um de seus porões.

Desta primeira reunião que participei em outubro de 2009, resultou uma lista de emails chamada Transparência Hacker, que congrega gestores, desenvolvedores, jornalistas e ativistas em torno do tema da transparência política na internet. Me juntei a esse grupo de ativistas, e durante os três anos seguintes, até 2013, me envolvi em vários projetos. Em 2010 trabalhei em um projeto de difusão cultural e sensibilização sobre práticas colaborativas na internet no estado de Alagoas, onde vivi por nove meses, visitando pequenas cidades em todas as regiões do estado: litoral, sertão e zona da mata.

Concebi em parceria com o desenvolvedor Elder Ribeiro em 2009 o legisdados.org, hoje descontinuado, que foi um protótipo de uma API para espelhamento e consolidação de dados legislativos da Câmara e do Senado. O projeto inspirou a adoção de boas práticas de oferta de dados abertos em todas as esferas administrativas do país. Foi Caso de estudos acadêmicos e me lançou em um giro nacional em eventos sobre dados abertos. Era na epoca um dos projetos de destaque da Transparência Hacker que tinha apoio do escritório da W3C/Brasil. Participei de diversos debates e eventos sobre informática pública e transparência governamental durante os anos de 2010 e 2011.

Em 2011 participei da formação do Ônibus Hacker, coletivo que começou com uma campanha pública de arrecadação por uma plataforma de financiamento coletivo. Adquirimos um velho ônibus que viajou por várias regiões do Brasil, Paraguai, Uruguai em eventos de tecnologia livre, universidades, e realizando as 'invasões' em pequenas cidades.

Em 2014, produzi minha última viagem com o Ônibus de São Paulo para o sul da Bahia, organizando um festival de arte com participantes de todas as regiões do país, que aconteceu em em parte dentro de uma aldeia dos Pataxós em Arraial d'Ajuda. Deste festival participaram cerca de oitenta artistas de dança, perfomance, artes visuais, cinema e música.

De volta a São Paulo, participei do início de uma ocupação de artistas em um prédio de no centro da cidade, onde vivi por quatro meses. De lá, recebi um convite para participar da criação de um espaço cultural, também da região central de São Paulo, no bairro da Luz. Fui produtor associado e chefe de bar do coletivo de festas voodoohop em São Paulo nos anos de durante este período, operando a logística de festas com públicos variando de 100 a 3000 pessoas em espaços públicos, ocupações e ambientes rurais.

Concebi e coordenei o projeto Café Reparo em cooperação com a Milena Durante e Sherlon Assis. O projeto foi premiado em 2015 pelo edital Redes e Ruas da prefeitura da cidade de São Paulo, e executado ao longo do ano no Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro.

https://www.youtube.com/watch?v=5glAcXSrst4

Em 2015 assumi na Casa Da Luz uma função de chefe no bar por oito meses. Ainda neste ano participei da primeira turma da residência Basement da RedBull Station em São Paulo com um trabalho sobre o bairro da Santa Ifigênia sobre a estética da gambiarra, e dos desafios urbanísticos da região. Ainda neste ano fiz uma excursão por hackerspaces e eventos de tecnologia e ocupações na Europa.

Esta vivência no centro da cidade me colocou em contato com a realidade de vida de imigrantes, com o circuito de festas itinerantes, as ocupações de moradia e os mercados informais e a marginalidade. Artistas, movimentos de ocupação artística, e os grandes eventos da cidade, como a Virada Cultural, o maior evento cultural urbano do mundo de mobiliza aproximadamente quatro milhões de pessoas em vinte e quetro horas, participei da produção de duas edições do SPnaRua, um evento organizado pela prefeitura de São Paulo que coloca dezenas de coletivos com atrações artísticas, espetáculos de música e artes visuais no centro histórico da cidade.

Em 2016, participei de um encontro da rede de design e inovação IDDS com participantes de vinte países, durante duas semanas em uma associação de produtores orgânicos na comunidade de Boa Vista do Acará, distante cinquenta minutos de barco da capital, Belém, concebendo um projeto de um provedor comunitário gerido pela comunidade.

De todas a potência das experiências recentes, venho aprendendo a cada dia com a complexidade das formas de interação que as cidades proporcionam, os desafios e oportunidades que um país do tamanho do Brasil oferece a quem se aventura a olhar para dentro. Para mim, escrever tem sido um prazer cada vez maior.

Sigo em busca de oportunidades para estender as redes e possibilidades destes meus projetos e experiências, Estou a disposição para debater assuntos relacionados a qualquer tempo pelo meu endereço pessoal.

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